Sexta-feira, 24 de abril de 2026

Parte da bancada evangélica, um dos pilares do governo Bolsonaro, tem feito acenos para Lula

Parte da bancada evangélica, um dos pilares do governo Bolsonaro, tem feito acenos para o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Esse grupo, somado ao que ficou neutro na última eleição presidencial e ao que apoiou a campanha do petista, corresponde à metade da frente parlamentar, uma das mais influentes do Congresso. Em meio às negociações para a formação da base, o contingente entrou na mira do Palácio do Planalto.

Na nova legislatura, que começou no dia 1º, o número de fiéis na Câmara dos Deputados aumentou de 91 para 98. Metade deles, 49, é aliada de Bolsonaro, enquanto dez apoiam Lula. Outros 20 mantiveram-se neutros durante a disputa eleitoral do ano passado, e 19 distanciam-se, cada vez mais, do bolsonarismo e acenam para a nova gestão.

Em um aceno ao segmento, o governo avalia criar uma subsecretaria voltada para os evangélicos, com a atribuição de abrir diálogo com as igrejas. O pastor Paulo Marcelo Schallenberger, com histórico de atuação na Assembleia de Deus, chegou a se reunir com o ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Márcio Macêdo, no mês passado, para tratar do assunto.

Aproximação

No Congresso, entre os 19,3% dos parlamentares evangélicos que já foram defensores de Bolsonaro, mas agora se afastaram, está Otoni de Paula (MDB-RJ), pastor da Assembleia de Deus de Madureira. Ele, que no passado chegou a ser investigado por atos antidemocráticos, tenta se aproximar de Lula. O deputado compareceu a posses de ministros e criticou o silêncio de Bolsonaro após as eleições. Na época, ele disse que “beirava a covardia”.

Outros nomes que se engajaram na campanha de Bolsonaro, como Silas Câmara (Republicanos-AM), também têm buscado sinalizar, embora com menos intensidade, abertura para diálogo com o novo governo. Da Assembleia de Deus do Norte, Silas foi quem convidou Bolsonaro para a edição amazonense do evento Marcha para Jesus. Aos poucos, ele ensaia uma aproximação com o PT. No último dia 17, esteve com o ministro da Integração e Desenvolvimento Regional, Waldez Góes.

Na bancada evangélica, há ainda 19 deputados que nunca foram alinhados ao bolsonarismo. Entre os neutros, destaca-se Kim Kataguiri (União-SP), da Igreja Anglicana. Ao longo de todo o antigo governo, o parlamentar foi crítico de Bolsonaro e agora repete o movimento com Lula.

Bolsonarismo

Metade da frente evangélica, por sua vez, se mantém alinhada com Bolsonaro. Nesse grupo está o atual líder da frente parlamentar e segundo vice-presidente da Câmara, Sóstenes Cavalcante.

“Ser oposição ou base não passa pela bancada evangélica. Somos ideológicos, temos nossas pautas cristãs, o que faz com que entremos em conflito com o governo Lula. No entanto, cada parlamentar tem um partido e pode vir a ter diálogo com o governo, mas tenho certeza que, caso o presidente atente sobre valores de nossa religião, todos irão se posicionar contra e ser resistência”, afirmou.

Governistas

Apesar de serem minoria na bancada e dentro das igrejas, 10 dos 98 parlamentares sempre estiveram ao lado de Lula e, inclusive, fizeram campanha para ele durante as eleições do ano passado. O caso mais conhecido é o da deputada Benedita da Silva (PT-RJ). Ela pertence à Igreja Presbiteriana do Brasil.

Menos atuante em questões religiosas na Câmara, outro membro da tropa de choque de Lula que integra a bancada evangélica é André Janones (Avante-MG). Um dos principais estrategistas digitais do petista na campanha eleitoral, ele é da Igreja Batista da Lagoinha.

Assim como na população brasileira, a Assembleia de Deus lidera a representatividade na bancada no Congresso, com 31,6% dos quadros. De acordo com o Datafolha, 34% dos evangélicos do país são dessa denominação.

Outras duas igrejas que se destacam na bancada evangélica são a Universal (20,4%) e a Batista (15,3%). Esta última foi a que mais cresceu em comparação com o mandato anterior. Em 2018, foram eleitos dez batistas, número que saltou para 15.

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