Sábado, 25 de junho de 2022

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Pelo menos 670 mil jovens adultos não voltaram para a segunda dose contra o coronavírus no Rio Grande do Sul

Em torno da metade dos adultos jovens (entre 18 e 29 anos) que receberam a primeira dose da vacina contra o coronavírus não retornou para a segunda dose, tão importante quanto a primeira aplicação.

“Todo esse grupo está com cobertura menor de 60% para a segunda dose da vacina contra a Covid-19. Isso é muito grave. É baixíssima”, explica a chefe da Divisão de Vigilância Epidemiológica do Cevs (Centro Estadual de Vigilância em Saúde), Tani Ranieri. “Precisamos que a população complete o esquema vacinal para que exista a imunização coletiva e para diminuir a circulação do vírus”, enfatiza.

Tani Ranieri destacou que, com apenas uma aplicação das vacinas Astrazeneca, CoronaVac e Pfizer – que requerem segunda dose – além de oferecer uma resposta imune menor, a durabilidade da resposta também fica reduzida. “A eficácia da vacina apontada por estudos clínicos só pode ser atingida com o esquema vacinal completo, ou seja, com as duas doses”, enfatiza. Entre as vacinas aplicadas no Brasil, até o momento, apenas a fabricante Janssen tem dose única.

Enquanto idosos, profissionais de saúde e pessoas com comorbidades estão voltando aos postos de saúde para receber dose de reforço, para além do esquema completo, mais de 670 mil adultos jovens não completaram a imunização. Quase 230 mil gaúchos nessa faixa etária receberam sequer a primeira.

“Esse é um dos grupos que mais circulam na sociedade. Eles trabalham, estudam, vão a festas, frequentam os locais de maior aglomeração. Então, além de não estarem executando a sua proteção individual, também colocam em risco a proteção coletiva, incluindo os de seus familiares”, afirma a secretária adjunta da Saúde, Ana Costa.

A SES (Secretaria da Saúde) tem fornecido às 18 CRS (Coordenadorias Regionais de Saúde) listas com os nomes das pessoas que não voltaram para receber a segunda dose. “A busca ativa dessas pessoas por parte da ação dos municípios é uma das estratégias que estamos estimulando e apostando, assim como sugerindo que os postos de saúde tenham horários alternativos para aqueles que não podem comparecer em horário comercial”, explica Ana Costa.

A secretária adjunta afirma que “mesmo com a diminuição de internações em decorrência da Covid-19 e de casos da doença nos últimos meses, constatamos nos hospitais que geralmente quem ainda apresenta agravamento não está com o esquema vacinal completo ou não recebeu nenhuma dose da vacina”.

Em todo o mundo há exemplos de países que recuaram na pandemia em consequência dos altos índices de vacinação. “Ainda vão ocorrer casos graves e óbitos pela doença mesmo em pessoas completamente imunizadas, visto que essa não é uma proteção absoluta, mas proporcionalmente ao que vivemos em março deste ano podemos proteger muito com a vacina. Não é seguro não se vacinar”, enfatiza Ana Costa.

Até a terça-feira (09), o Rio Grande do Sul já aplicou mais de 16,6 milhões de doses da vacina. E já tem 63% da população com o esquema vacinal completo, que inclui as duas doses ou dose única.

Entre os adultos, pessoas com 18 anos ou mais, que formam o primeiro grupo vacinado e o que é mais afetado pela Covid-19, quatro em cada cinco (80%) estão vacinados com as duas doses. E 94% receberam ao menos uma dose.

Entre os adolescentes, de 12 a 17 anos, que começaram a ser vacinados em julho (grupo com comorbidades), 71% já receberam pelo menos uma dose da vacina. Como começou depois, a segunda dose foi aplicada em 5,5%. Mas vem avançando rápido.

Realidade de cada região

Buscar estratégias de sensibilização dos jovens adultos em cada região do Rio Grande do Sul para recebam a segunda dose foi uma das pautas debatidas entre a secretária da Saúde, Arita Bergmann, equipe diretiva da SES e coordenadores regionais das 18 CRS nesta terça-feira.

“Precisamos chegar nesse público. Sabendo da realidade de cada região, as CRS podem colaborar para encontrar esses jovens e descobrir por que ainda não buscaram completar o esquema vacinal. Pode-se pensar em estratégias de comunicação em bares, academias, universidades ou outros locais”, reforça a secretária.

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