Domingo, 21 de abril de 2024

Pesquisadores alertam que a monkeypox ainda é problema de saúde pública no Brasil

O Instituto Nacional de Infectologia Evandro Chagas da Fundação Oswaldo Cruz (INI/Fiocruz) e a revista científica The Lancet Regional Health Americas lançaram uma edição especial do periódico intitulada “Mpox multinacional nas Américas: Lições do Brasil e do México” com um material específico sobre o surto de monkeypox – também conhecida como varíola dos macacos, mas que foi renomeada para Mpox – na região.

No evento, os especialistas chamaram atenção para o caráter endêmico que o vírus tem apresentado em locais como o Brasil, e que, mesmo com a melhora, o cenário ainda configura um problema de saúde pública no País.

“A emergência está caminhando para uma resolução em alguns lugares do mundo, mas ainda é um problema de saúde pública para nós, para as Américas especificamente”, disse a editora-chefe da revista científica, Taissa Vila, durante o lançamento.

De acordo com a última atualização do Ministério da Saúde, são 10.715 casos da doença no Brasil, e 2.766 suspeitas em análise. Há ainda 15 óbitos: um no Pará, em Santa Catarina, no Maranhão, no Mato Grosso; três em São Paulo e em Minas Gerais e 5 no Rio de Janeiro, estado mais afetado pelo vírus.

Segundo o painel de monitoramento da Organização Mundial da Saúde (OMS), o Brasil está apenas atrás dos Estados Unidos em relação tanto aos diagnósticos, como às mortes. No país norte-americano, até esta semana, foram 29.849 infecções e 23 vítimas fatais.

O alerta dos pesquisadores ocorre no momento em que, embora tenha vivido uma queda desde agosto do ano passado, o Brasil vive uma estabilidade no ritmo de novos casos desde dezembro – e pode enfrentar novos aumentos. Enquanto isso, países como França e Bélgica registram períodos superiores a 27 dias sem novos diagnósticos, segundo dados da OMS.

“Um ponto que serve de alerta para a gente, que tem nos preocupado e chama a atenção, é que desde a última semana de dezembro, e o início de janeiro, nós vemos um novo aumento no número de atendimentos”, acrescentou a médica infectologista do INI, Mayara Secco, sobre o que os especialistas têm observado na unidade da Fiocruz, durante o evento. Apenas neste mês, foram 22 casos confirmados no INI neste ano.

O cenário mostra que, embora o status de emergência de saúde internacional, declarado pela OMS em julho do ano passado, possa estar próximo de chegar ao fim, a doença permanece como um ponto de alerta em países como o Brasil. É o que aborda o editorial da edição especial da revista Lancet.

“Isso se baseia na tendência global atual de que os casos semanais diminuíram mais de 90% em relação ao pico em agosto de 2022; no entanto, o quadro global não é homogêneo. Se olharmos apenas para as Américas, os casos semanais continuam aumentando em vários países, e a região é a única ainda considerada de alto risco nas avaliações da OMS”, diz o artigo.

O texto destaca ainda o impacto da falta de coordenação do governo federal brasileiro frente à doença como um dos motivos para a situação sanitária desfavorável no País.

“No Brasil, a falta de comprometimento das lideranças com a emergência pode ter favorecido a explosão de casos. Declarações homofóbicas pelo então presidente (Jair) Bolsonaro durante os piores momentos do surto cimentou a estigmatização da doença, e o país agora tem escassez do único tratamento aprovado nacionalmente (Tecovirimat) e demora na chegada das doses da vacina”, escreveram os responsáveis pelo editorial.

Um dos artigos que fez parte da edição especial do periódico, realizado por um time de pesquisadores de instituições como a Universidade de São Paulo (USP) e a Universidade Federal de Campina Grande (UFCG), reforça que “‘enquanto outros países já iniciaram a vacinação e reposicionaram antivirais para casos mais graves, o Brasil ainda não tem nenhum”.

Aqui, embora doses do imunizante e unidades do medicamento tenham chegado ao país, eles são utilizados apenas em estudos clínicos, e não foram amplamente incorporados à prática clínica de manejo do monkeypox – apesar de terem recebido o aval da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) para uso.

Outro ponto abordado no artigo foi a dificuldade em isolar os casos para impedir a transmissão. “A baixa capacidade de testagem prejudica a identificação dos casos e, consequentemente, o controle da disseminação do vírus. (…) O cenário no Brasil é preocupante. Se a população não for devidamente orientada e os profissionais não forem capacitados para o correto reconhecimento e isolamento precoce dos casos, a situação pode se agravar”, escrevem os cientistas.

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