Segunda-feira, 17 de junho de 2024

Prefeitura foi alertada em 2018 sobre risco de falha no sistema contra enchente em Porto Alegre, diz jornal

A prefeitura de Porto Alegre foi alertada em 2018 sobre o risco de falhas no sistema de bombeamento da região central da cidade, caso o nível do Guaíba ultrapassasse a cota de inundação de 3 metros. A informação estava em um parecer técnico elaborado por funcionários municipais em setembro daquele ano. À época, a prefeitura era comandada por Nelson Marchezan Jr.

O documento, obtido pela Folha de S.Paulo, é assinado por dois engenheiros da gestão municipal, que destacaram a necessidade de revisar o projeto de parte do sistema de prevenção de cheias devido a uma possível “falha na proteção”. Os técnicos referiam-se a duas casas de bombas projetadas para escoar a água da chuva do centro da cidade para o lago Guaíba.

O lago atingiu sua máxima histórica no início deste mês, quando, conforme as medições oficiais, chegou a 5,33 metros. O nível, porém, ainda está mais de 1,50 metro acima da cota de inundação, que é de 3 metros.

De acordo com os engenheiros, a única barreira contra o transbordamento da água captada abaixo do piso era uma tampa de ferro comum. No entanto, o ideal seria um sistema estanque com vedação adequada para suportar a pressão em caso de cheias.

“A cota do piso é 3,30m, logo em situações onde o nível do Guaíba supere esta cota é provável que ocorra extravasamento para a área interna da estação”, diz trecho do documento.

Em novembro do ano passado, após o transbordamento, um novo parecer foi enviado.

“Informamos que ocorreram grandes dificuldades na operação das unidades citadas, quando o Guaíba passou da marca de 3,2 m, em especial quando passou de 3,4 m, ponto onde se observou o limite para o acionamento das bombas com segurança”, diz trecho do documento

Em nota, o Departamento Municipal de Água e Esgotos (DMAE), informou que a instalação de tampas herméticas nas casas de bombas 17 e 18 está na “fase de viabilidade técnica para a elaboração do projeto”.

Engenheiros hídricos e ambientais apontam que a paralisação do sistema de bombeamento agravou a inundação do Centro de Porto Alegre e dos bairros Menino Deus, Cidade Baixa e Sarandi. Das 23 estações instaladas na cidade, apenas 3 permaneceram em funcionamento nos primeiros dias após as fortes chuvas.

 

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