Terça-feira, 23 de junho de 2026

Presidente nacional do PT diz que “todos os envolvidos no escândalo do Banco Master terão que se explicar”

O presidente nacional do PT, Edinho Silva, disse ao Valor que a operação da Polícia Federal (PF) que arrastou o líder do governo e quadro histórico do PT, senador Jaques Wagner (BA), para o escândalo do Banco Master não atingirá a campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva à reeleição. Segundo o dirigente, que é coordenador-geral da campanha, Lula sempre cobrou a investigação das denúncias contra o ex-banqueiro Daniel Vorcaro.

Acrescentou que o Master é “criação” do governo de Jair Bolsonaro.
Sobre o afastamento de Wagner da liderança, argumentou que a prioridade é a defesa do aliado, e que deixar, ou não, o cargo será uma decisão dele, que terá o seu apoio.

Na área econômica, Edinho relativizou declarações recentes do coordenador do programa de governo, José Sérgio Gabrielli, que provocaram ruído com o mercado e com o setor produtivo. “Só tem um condutor da política econômica, se chama presidente Lula. E o seu porta-voz na economia, que é o ministro Dario Durigan”, afirmou.

Lembrando que o próprio Lula tem defendido a expansão dos gastos públicos, mesmo com a trajetória de alta da dívida, o dirigente ponderou que o presidente fala em meio a uma conjuntura de crise econômica mundial. Argumenta que o déficit é “controlado”, e que isso não significa acomodação, porque o governo vai buscar a responsabilidade fiscal e a eficiência dos gastos.

A seguir os principais pontos da entrevista:

1) Qual o impacto na campanha de Lula da ação da PF contra Jaques Wagner? Colocou o presidente no mesmo patamar que Flávio Bolsonaro?

Não acredito nisso. Primeiro, o presidente é quem mais tem defendido a apuração das denúncias envolvendo o Banco Master. Ele sempre disse que elas são graves e colocam em risco a credibilidade do sistema financeiro.

2) Mas Wagner é um quadro nacional do PT, amigo de Lula há décadas. As denúncias não afetam a campanha presidencial?

Claro que o Jaques Wagner é uma liderança importante para o PT, é um dirigente histórico. Eu defendo que ele tenha todas as garantias do contraditório para se defender e mostrar sua inocência. Mas o presidente Lula tem defendido a apuração das denúncias, e isso serve para todo mundo.

Inclusive para quem participou da construção do Banco Master, que foi quem participou do governo (Jair) Bolsonaro, porque o Master é uma criação deles.

3) Associar o Master ao governo anterior é estratégia para afirmar que o escândalo tem mais vínculos com a família Bolsonaro? As denúncias contra Wagner arrastaram o PT para a crise.

Essa relação é inquestionável. Todas as operações foram aprovadas pelo Banco Central durante o governo Bolsonaro. Mas todos, Independentemente de partido, que se relacionaram com as operações fraudulentas, terão que se explicar. Agora, nós do PT confiamos que Wagner provará sua inocência. Outra coisa é que Lula tem dado uma demonstração de respeito institucional inquestionável.

4) Em que sentido?

A Polícia Federal tem toda a autonomia para trabalhar no governo Lula, plena autonomia para investigar. Isso é algo que mesmo aqueles que não querem reconhecer os feitos deste governo, terão que reconhecer. O respeito do presidente às instituições, à PF, ao Ministério Público, ao Judiciário.

5) Nesse contexto, há quem afirme que a operação contra Wagner contribuiu para melhorar a relação de Lula com o Centrão. Aliados achavam que a PF de Lula os perseguia.

Não sei se melhorou a relação com o Centrão, até porque Lula tem defendido essa apuração desde o começo. E foi assim em relação às denúncias sobre as emendas parlamentares, nas denúncias envolvendo o INSS (Instituto Nacional do Seguro Social).

6) Wagner deve se afastar da liderança do governo no Senado para se defender e preservar Lula?

O mais importante agora é darmos apoio ao Jaques para ele mostrar que as acusações contra ele não têm fundamento. Ele é um líder histórico do PT, e que faz parte da trajetória do presidente Lula. Então isso é uma escolha dele. Ele terá o nosso apoio para decidir seus movimentos futuros, inclusive o que fará em relação ao Senado.

7) Estamos a menos de quatro meses da eleição, e faltam palanques de Lula a serem fechados, inclusive em Minas, segundo maior colégio eleitoral. Isso preocupa?

A campanha do presidente está extremamente organizada e estruturada no Brasil inteiro, e isso se deve à forma republicana com que ele lidou com governadores e prefeitos, o que facilitou nossa tática eleitoral. Estamos em junho, bem antes das convenções [que começam no fim de julho], e com palanques fechados em 25 Estados. (Com informações do Valor Econômico)

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