Quarta-feira, 15 de abril de 2026
Por Redação do Jornal O Sul | 14 de abril de 2026
No Dia Mundial do Café, uma pesquisa recente traz uma resposta mais precisa a uma dúvida comum entre consumidores: qual é a quantidade ideal da bebida por dia? Segundo estudo publicado no Journal of Affective Disorders e reportado pelo Daily Mail, beber de duas a três xícaras diárias está associado ao menor risco de transtornos de humor e de estresse, como depressão, ansiedade e transtorno de estresse pós-traumático (TEPT).
A pesquisa analisou dados de saúde de 461.586 adultos cadastrados no UK Biobank, banco de dados do Reino Unido. Os participantes tinham, em média, 57 anos, e 54% eram mulheres. Eles foram acompanhados por 13 anos, período em que foram registrados 18.220 casos de transtornos de humor e 18.547 casos de transtornos relacionados ao estresse.
O ponto de equilíbrio
Cerca de 71% dos participantes afirmaram consumir café regularmente. Desses, 44% disseram tomar de duas a três xícaras por dia, justamente a faixa em que os pesquisadores identificaram o menor risco. Quem bebia essa quantidade tinha entre 10% e 20% menos probabilidade de desenvolver um transtorno de humor ou de estresse em comparação a quem não consumia café.
O dado mais surpreendente: consumir menos de duas xícaras por dia não trouxe nenhum benefício mensurável para a saúde mental em relação ao grupo que não bebia café. Já quem ultrapassava três xícaras diárias apresentava risco maior de desenvolver depressão, ansiedade e transtorno de estresse agudo.
Os pesquisadores identificaram uma associação em formato de “J” entre consumo de café e saúde mental, o que indica que a moderação é o fator central, não a abstinência nem o excesso.
Além da cafeína
Um achado relevante do estudo é que o efeito protetor foi observado tanto no café comum quanto no instantâneo e no descafeinado. Isso sugere que os benefícios estão relacionados à composição do café em si, não apenas à cafeína.
Uma hipótese levantada pelos pesquisadores envolve os polifenóis, micronutrientes presentes no café que têm mostrado capacidade de reduzir inflamações e danos celulares no cérebro, além de inibir a liberação de neurotoxinas que interferem em neurotransmissores como a serotonina. O café também estimula a produção de dopamina, neuroquímico associado ao bem-estar e à motivação.
Os pesquisadores ainda apontam que o ato social de tomar café, como encontrar um amigo em uma cafeteria, pode contribuir para o efeito positivo no humor.
Os autores alertam que os resultados mostram uma associação, não uma relação de causa e efeito. Há também limitações metodológicas: os dados de consumo foram autodeclarados pelos participantes, e cada pessoa tem uma tolerância diferente à cafeína. A faixa de duas a três xícaras, portanto, não é uma recomendação universal.
Morgan L. Walker, nutricionista do Lebanon Valley College que não participou da pesquisa, afirmou ao portal VeryWell Health que o estudo reforça o que já se sabe sobre as recomendações gerais de consumo de cafeína. Segundo ela, quando se ultrapassa esse limite, começam a aparecer efeitos negativos como sono prejudicado, agitação e ansiedade, especialmente em pessoas mais sensíveis à substância.