Terça-feira, 15 de setembro de 2026
Por Redação do Jornal O Sul | 15 de setembro de 2026
Quase metade (48,5%) dos médicos que trabalham em Unidade de Terapia Intensiva (UTI) no Brasil apresentam alto nível de esgotamento mental e emocional. A análise reflete um grupo de 2.338 médicos que responderam questionários digitais em 26 estados brasileiros mais o Distrito Federal. O aspecto, defende a pesquisa, é um dos fatores de risco para o diagnóstico de burnout, assim como a despersonalização (tornar-se emocionalmente distante do trabalho por mecanismo de defesa) e insatisfação com a vida.
O levantamento demonstrou que quase oito em cada dez médicos que atuam em UTIs precisam de atenção à saúde emocional. A taxa de profissionais com esgotamento “moderado” foi de 31,2%. Os que totalizavam baixo esgotamento foram 20,3%.
A pesquisa também destaca o que determinou como “baixo grau de satisfação com suas atividades”, o que totalizou 46,4%. Em um questionário de pontuação que mostra o nível de satisfação com a vida, 54,2% dos intensivistas mostraram pontuação abaixo da média considerada satisfatória. Essa pontuação, explica o levantamento, não determina níveis de burnout, mas a insatisfação com a vida é parte de um dos aspectos considerados para esse diagnóstico.
Burnout no Brasil
Não é um problema só dos médicos, dados recentes mostram que todo o país tem visto alta de risco e diagnósticos de burnout. Entre 2023 e 2025, o número de afastamentos do trabalho por problemas relacionados à organização do modo de vida, ou seja, o esgotamento e suas variáveis, passou de 1760 para 6985, um aumento de 296%. Esse número representa o grupo de pessoas afastadas por período maior que 15 dias. O que significa que o volume de casos pode ser ainda maior quando se pensa num cenário que inclua pessoas com afastamento por menos tempo ou que nem comunicaram o empregador sobre seu estado de saúde.
A Organização Mundial da Saúde (OMS) classifica o burnout, na CID-11, como um fenômeno ocupacional relacionado especificamente ao contexto de trabalho. A definição considera que ele resulta de estresse crônico no ambiente profissional que não foi administrado de forma adequada. O fenômeno é caracterizado por três dimensões principais: sensação de esgotamento ou falta de energia, aumento do distanciamento mental em relação ao trabalho, com sentimentos de negativismo ou cinismo, e redução da eficácia profissional.
A OMS ressalta que burnout não é classificado como uma doença ou condição médica na CID-11. O termo é utilizado para descrever um fenômeno relacionado ao trabalho. Por isso, ele não deve ser usado para explicar indiscriminadamente situações de exaustão ou sofrimento que ocorram em outras áreas da vida.
Na prática, o esgotamento pode aparecer de diferentes formas. Entre os sinais estão cansaço persistente, dificuldade para começar ou concluir tarefas, perda de motivação, irritabilidade, distanciamento emocional, dificuldade de concentração, sensação de pouca realização profissional e dúvidas sobre a própria capacidade de desempenhar o trabalho. Alterações no sono e queixas físicas, como dores de cabeça e problemas gastrointestinais, também podem acompanhar o quadro de estresse relacionado ao trabalho. (Com informações do jornal O Globo)