Domingo, 25 de fevereiro de 2024

Reino Unido: ex-premiê britânico, Boris Johnson, renuncia como deputado por participar de festas na pandemia

O ex-primeiro ministro britânico Boris Johnson renunciou ao cargo de deputado nessa sexta-feira (9), responsabilizando por sua decisão a comissão parlamentar que investiga o escândalo do “Partygate” — as festas realizadas durante seu mandato em Downing Street, sede do governo, celebradas em plena pandemia de covid. Como consequência, o Parlamento do Reino Unido vai passar por uma eleição suplementar imediata, o que aumenta a pressão política sobre seu sucessor, Rishi Sunak, do Partido Conservador.

Segundo documento preliminar da comissão, Boris enganou a Casa sobre seu conhecimento das violações das regras da covid no escândalo do “partygate”, o que ele nega. O conservador, que serviu como primeiro-ministro por três anos, foi informado em particular sobre as descobertas dos parlamentares nesta sexta, embora o relatório final com os detalhes do inquérito ainda não tenha sido divulgado oficialmente.

“Recebi uma carta da Comissão de Privilégios que deixa claro, para minha surpresa, que eles estão determinados a usar o processo contra mim para me expulsar do Parlamento”, escreveu o ex-primeiro-ministro em um comunicado anunciando a renúncia. “É muito triste deixar o Parlamento, pelo menos por enquanto, mas estou acima de tudo perplexo por ter sido forçado a sair de uma forma antidemocrática”, acrescentou, acusando a comissão de ser “tendenciosa” e de promover uma “caça às bruxas” contra ele.

A renúncia como membro do Parlamento significa que Boris evita a potencial humilhação de um voto de suspensão da Câmara dos Comuns por sua conduta e, consequentemente, uma eleição especial no distrito eleitoral que representa, no Noroeste de Londres, a qual ele poderia facilmente perder.

“Eles ainda não produziram um pingo de evidência de que eu intencional ou imprudentemente enganei a Câmara dos Comuns”, alegou o ex-premier. Em março, Boris negou perante a comissão que havia mentido ao Parlamento e jurou sobre a Bíblia dizer “toda a verdade e nada além da verdade”.

O escândalo do “partygate” — que ganhou essa alcunha em referência às festas promovidas na sede do governo durante as restrições da pandemia — foi um dos principais responsáveis pelo desgaste que levou à renúncia de Boris em julho do ano passado.

Na época, ele alegou que as reuniões em Downing Street, muitas delas regadas a álcool, respeitaram todas as normas sanitárias. Após a divulgação de um relatório interno sobre o caso contradizendo sua versão, porém, o ex-primeiro-ministro acabou admitindo sua “responsabilidade”. Ele se justificou dizendo em depoimento à comissão que acreditava estar respeitando as diretrizes anti-covid e que as violações ao distanciamento social eram necessárias aos propósitos do trabalho.

Desde dezembro de 2021, o ex-premier garantiu aos deputados em várias ocasiões que as regras que ele mesmo havia imposto para combater a pandemia — que deixou 220 mil mortos no Reino Unido — haviam sido respeitadas “em todos os momentos” em seus escritórios.

“Eles sabem perfeitamente que, quando falei na Câmara dos Comuns, estava dizendo o que acreditava sinceramente ser verdade e o que fui instruído a dizer, como qualquer outro ministro”, disse Boris em sua carta de renúncia.

“Eu não menti, e acredito que em seus corações a comissão sabe disso. Mas eles escolheram deliberadamente ignorar a verdade porque, desde o início, seu propósito não foi descobrir a verdade ou entender genuinamente o que estava em minha mente quando falei na Câmara dos Comuns”, finalizou.

Após as duras críticas de Boris, um porta-voz da comissão afirmou que o ex-premier “impugnou a integridade da Câmara com suas declarações”, e informou que os membros se reunirão na segunda-feira para concluir o inquérito sobre o ex-primeiro-ministro.

Desde que deixou o cargo de premier, o ex-líder britânico, que está prestes a completar 59 anos e ter o oitavo filho, não escondeu o desejo de voltar ao poder. Analistas políticos sugerem que Boris pode ter renunciado em seu eleitorado para concorrer a uma cadeira conservadora mais segura, como a vaga de Nadine Dorries, uma partidária do ex-premier que também anunciou a renúncia do distrito de Mid Bedfordshire nessa sexta. Alguns também apontam a possibilidade de Boris tentar concorrer no eleitorado mais amigável de Henley, que ele representou uma vez antes.

A perspectiva de uma eleição suplementar para a cadeira de Boris nos distritos de Uxbridge e South Ruislip pode enfraquecer o Partido Conservador de Sunak, que já está atrás do oposicionista Partido Trabalhista nas pesquisas de opinião. A derrota seria um golpe para o moral do partido, que se prepara para uma eleição geral que deve ocorrer até janeiro de 2025.

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