Sábado, 20 de junho de 2026

Você compartilha até um quinto das bactérias do intestino com quem mora junto; entenda

Famílias compartilham mais do que apenas a genética, de acordo com achados de um novo estudo. Pessoas que coabitam a mesma casa compartilham cerca de um quarto, ou 25%, de sua microbiota intestinal e oral.

“Com quem decidimos compartilhar nossas casas pode ter uma enorme influência em nossos microbiomas, o que tem potenciais consequências para nossa saúde”, afirma o primeiro autor e biólogo computacional Vitor Heidrich, da Universidade de Trento, na Itália.

Além disso, segundo os cientistas, isso não depende do grau de parentesco entre os coabitantes – irmãos, pais e filhos compartilharam números semelhantes de cepas microbianas, e parceiros românticos compartilharam ainda mais micróbios orais (mas não intestinais) entre si, possivelmente por conta da troca de beijos.

O estudo analisou dados das bactérias orais, isto é, da boca, e intestinais de 430 pessoas moradoras da Itália e de Fiji. Eles identificaram cepas microbianas em cada indivíduo e, em seguida, compararam as cepas entre pessoas que moravam juntas para verificar se a transmissão estava ocorrendo.

As descobertas apontam que indivíduos que coabitavam compartilhavam cerca de 19% das cepas de sua microbiota intestinal e 26% das cepas de sua microbiota oral, em comparação com 6% e 0%, respectivamente, para indivíduos que viviam em residências diferentes. Já parceiros românticos compartilhavam, em média, 44% de seus micróbios orais entre si.

No quesito de transmissão entre pessoas, os micróbios intestinais mais transmissíveis estavam associados a biomarcadores de diabetes tipo 2 e saúde cardiometabólica precária. Na cavidade oral, as espécies mais transmissíveis incluíam dois micróbios associados ao câncer colorretal e vários patógenos oportunistas (bactérias geralmente inofensivas, mas que podem causar doenças graves em pessoas imunocomprometidas).

Os resultados foram publicados na revista científica Cell Press Blue e, de acordo com os cientistas, eles podem ajudar a aprimorar tratamentos relacionados ao microbioma, incluindo terapias com probióticos e transplante de microbiota fecal.

“Foi surpreendente constatar que o microbioma oral não é muito mais transmissível do que o microbioma intestinal. Isso demonstra que a maioria dos nossos micróbios está presente em praticamente todos os lugares, e a troca microbiana é muito alta, mas nossos microbiomas são moldados mais pela capacidade do nosso corpo de aceitar ou não a colonização dessas bactérias”, diz Segata.

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