Quarta-feira, 22 de maio de 2024

Aquecimento global atinge recordes e pode causar mudanças irreversíveis, alerta estudo

O ano de 2023 foi marcado por uma verdadeira derrubada de recordes climáticos em escala global, que desencadearam impactos socioeconômicos massivos em todas as regiões do mundo, afetando especialmente as populações mais vulneráveis, conclui um novo estudo da OMM (Organização Mundial Meteorológica) publicado nesta terça-feira (19).

Segundo o relatório “O estado do clima em 2023”, nunca antes o mundo viveu uma situação com tantos extremos e recordes: nos níveis de gases de efeito estufa da Terra (clique para ir direto para ao tópico); nas temperaturas superficiais do nosso planeta (tópico); de acidificação e calor dos oceanos (tópico); no nível do mar (tópico) e da cobertura de gelo na Antártida e no Ártico (tópico).

“Jamais estivemos tão próximos do limite inferior de 1,5°C do Acordo de Paris sobre mudanças climáticas”, disse a Secretária-Geral da OMM, Celeste Saulo.

Gases do efeito estufa

O aquecimento global é causado pelos gases de efeito estufa que retêm o calor do nosso Sol na atmosfera. Esses gases, como o CO2 (gás carbônico), são liberados quando queimamos combustíveis fósseis, como carvão e petróleo, algo que não fazíamos antes da Revolução Industrial, pelo menos em larga escala.

Desde então, a quantidade de CO2 na atmosfera aumentou mais de 50% – e continua crescendo. Como consequência disso, o aquecimento global está fazendo o nosso planeta ficar mais quente, o que por sua vez está causando uma série de problemas e intensificando fenômenos naturais, como incêndios, secas e tempestades que estamos vendo cada vez mais pelo mundo.

Segundo o relatório da OMM, as concentrações observadas dos três principais gases de efeito estufa – dióxido de carbono, metano e óxido nitroso – atingiram níveis recordes em 2022, e dados em tempo real de locais específicos também mostram um aumento contínuo em 2023.

Dia e mês mais quentes já registrados

Com todo esse aumento das emissões, não tem outra. Desde o início de julho do ano passado, temos presenciado a quebra constante dos registros históricos de temperatura: uma sequência de novos recordes para os meses mais quentes já registrados.

Em 2023, a temperatura global média foi 1,45 ± 0,12 °C acima da média pré-industrial. Isso tornou o último ano o ano mais quente registrado, superando os recordes anteriores de 2016 e 2020.

Com isso, a média decenal de 2014-2023 ficou em 1,20±0,12°C acima da média de 1850-1900. Isso quer dizer que o aumento contínuo das concentrações de gases de efeito estufa é o principal impulsionador do aquecimento global, segundo o relatório da OMM.

Recordes nos oceanos

A temperatura média da superfície do oceano também tem batido recordes desde o ano passado e a OMM prevê que esse aquecimento deve continuar – uma mudança que é irreversível em escalas de centenas a milhares de anos.

No estudo, a organização destaca que o oceano global experimentou uma cobertura média diária de ondas de calor marinhas de 32%, muito acima do recorde anterior de 23% em 2016.

Esse aumento da cobertura e intensidade das ondas de calor marinho foi observado em amplas áreas, como no Atlântico Norte e no Mediterrâneo, um fenômeno que acompanhado pelo aumento da acidificação dos oceanos devido justamente à absorção de dióxido de carbono.

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