Terça-feira, 28 de julho de 2026
Por Redação do Jornal O Sul | 28 de julho de 2026
Os bancos oficiais começaram a operar a linha de financiamento destinada a entregadores de aplicativos e profissionais do transporte urbano por duas rodas dentro do programa Move Brasil, iniciativa do governo federal que busca ampliar o acesso ao crédito para aquisição de motocicletas, ciclomotores, motonetas e bicicletas elétricas utilizadas como instrumento de trabalho. As operações tiveram início após um adiamento de duas semanas para a conclusão de testes tecnológicos e operacionais entre os sistemas envolvidos, segundo informou o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC).
A partir de agora, os trabalhadores que tiveram o cadastro aprovado na plataforma do programa podem procurar instituições financeiras habilitadas, entre elas a Caixa Econômica Federal e o Banco do Brasil, para solicitar o financiamento. A concessão do crédito, no entanto, continua condicionada à análise de risco e da capacidade de pagamento realizada pelos bancos, o que significa que a aprovação no programa não garante automaticamente a liberação dos recursos.
O Move Brasil foi criado para facilitar a renovação da frota utilizada por entregadores e motociclistas de aplicativos, além de incentivar a adoção de veículos com menor impacto ambiental. A linha de crédito contempla motocicletas flex, motos elétricas, ciclomotores, motonetas e bicicletas elétricas produzidas ou montadas no país. Também estão previstas condições especiais para empresas interessadas em investir em infraestrutura de recarga e troca de baterias, estimulando a eletrificação da mobilidade urbana.
Para participar, é necessário comprovar atividade profissional. Podem aderir motociclistas e ciclistas cadastrados em plataformas digitais há pelo menos seis meses e que tenham realizado, no mínimo, cem corridas ou entregas nesse período. Também são elegíveis motofretistas, mototaxistas e ciclistas contratados pelo regime da Consolidação das Leis do Trabalho (CLT), desde que possuam vínculo empregatício de pelo menos seis meses na mesma empresa. Os motociclistas precisam ainda possuir Carteira Nacional de Habilitação na categoria A.
Segundo as regras do programa, as condições de financiamento incluem prazo de até 48 meses para pagamento, carência de até dois meses e garantia parcial das operações por meio do Fundo Garantidor de Operações (FGO), mecanismo criado para reduzir o risco das instituições financeiras e facilitar o acesso ao crédito. As taxas de juros são inferiores às praticadas em financiamentos tradicionais e variam conforme o perfil do beneficiário, com condições diferenciadas para mulheres, que contam com encargos menores.
O governo afirma que a iniciativa busca atender uma categoria que cresceu significativamente nos últimos anos com a expansão dos aplicativos de entrega e transporte. Durante o lançamento do programa, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou que o objetivo é ampliar o acesso desses trabalhadores ao crédito e oferecer melhores condições para a aquisição de veículos utilizados na geração de renda. O Executivo também defende que a renovação da frota poderá contribuir para reduzir custos de manutenção, aumentar a segurança dos profissionais e estimular a produção nacional de veículos de duas rodas.
Embora a linha de financiamento tenha sido recebida como uma alternativa para trabalhadores que dependem do veículo para exercer a atividade, especialistas destacam que a contratação deve ser acompanhada de planejamento financeiro, já que as parcelas passam a integrar o orçamento mensal do profissional. A expectativa do governo é de que, com a entrada em operação da nova modalidade de crédito, milhares de entregadores passem a renovar seus veículos nos próximos meses, ampliando o alcance do programa em todo o país.