Terça-feira, 11 de agosto de 2026
Por Redação do Jornal O Sul | 11 de agosto de 2026
O dólar interrompeu a trajetória de queda registrada durante a manhã e fechou em alta de 0,98% nesta terça-feira (11), cotado a R$ 5,1606. Durante a sessão, a moeda norte-americana chegou a atingir a máxima de R$ 5,1776. Com o resultado, o dólar acumula alta de 1,52% na semana e de 1,80% em agosto. No ano, porém, ainda registra queda de 5,98%.
O movimento foi acompanhado por uma forte queda do Ibovespa, principal índice da Bolsa de Valores brasileira. O indicador recuou 2,56%, aos 167.875 pontos. O resultado levou o índice a acumular perdas de 2,77% na semana e de 5,77% no mês. No acumulado de 2026, o Ibovespa ainda registra valorização de 6,86%.
Entre os fatores que influenciaram os mercados nesta terça-feira estiveram os novos dados de inflação no Brasil. O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) registrou alta de 0,07% em julho, após avanço de 0,16% em junho. O resultado representa uma nova desaceleração da inflação e ficou entre os principais indicadores acompanhados pelos investidores.
A ata da última reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central também esteve no radar. No documento, a autoridade monetária afirmou que poderá reagir “com firmeza” caso movimentos nos preços do petróleo provoquem impactos sobre a inflação brasileira.
Na semana passada, o Banco Central reduziu a taxa básica de juros, a Selic, em 0,25 ponto percentual, para 14% ao ano. A ata da reunião detalhou as avaliações feitas pelos integrantes do Copom sobre o cenário econômico e os riscos para a inflação.
No cenário externo, os investidores continuaram acompanhando os desdobramentos do conflito no Oriente Médio e as incertezas envolvendo o Estreito de Ormuz. A passagem marítima é considerada estratégica para o mercado internacional de energia, já que por ela circula cerca de 20% do comércio global de petróleo.
As dúvidas sobre uma eventual reabertura da rota continuaram provocando volatilidade nos preços da commodity. Nesta terça-feira, o petróleo Brent, referência internacional, avançou 1,39%, para US$ 88,94 por barril. O West Texas Intermediate (WTI), referência nos Estados Unidos, subiu 1,16%, para US$ 83,08.
No fim de semana, o Irã divulgou uma lista de exigências para a reabertura do Estreito de Ormuz e afirmou que os Estados Unidos precisariam atender às demandas para que Teerã permitisse novamente a passagem de embarcações. As informações foram divulgadas pelo jornal americano The New York Times, com base em declarações veiculadas pela imprensa estatal iraniana.
O ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araqchi, afirmou ainda que o país e Omã estavam “muito perto” de um acordo envolvendo uma nova rota de navegação pelo Estreito.
No Brasil, os mercados também acompanharam os efeitos do tarifaço imposto pelos Estados Unidos sobre produtos brasileiros. Nesta terça-feira, a Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (ApexBrasil) anunciou um plano para ampliar a presença de produtos nacionais em novos mercados. A estratégia tem como um dos objetivos reduzir os impactos das tarifas sobre setores afetados e diversificar os destinos das exportações brasileiras.
O cenário externo, especialmente as incertezas relacionadas ao petróleo e ao Estreito de Ormuz, somou-se às preocupações dos investidores com o ambiente comercial internacional e contribuiu para uma sessão de maior aversão ao risco nos mercados brasileiros.