Sexta-feira, 23 de fevereiro de 2024

Donald Trump responde a 37 acusações de crimes federais por guardar documentos sigilosos do governo até no chuveiro

O Departamento de Justiça dos Estados Unidos confirmou que o ex-presidente Donald Trump recebeu 37 acusações referentes a sete crimes federais no caso relacionado à retirada de documentos sigilosos da Casa Branca ao fim de seu mandato. De acordo com os investigadores, o republicano pôs em risco segredos de Estado — entre eles um “plano de ataque” contra o Irã e informações sobre programas nucleares — ao armazenar os materiais em lugares como um chuveiro, compartilhá-los com pessoas sem autorização e dar ordens para que um assessor os escondessem da Justiça.

Trump já havia anunciado que se tornaria réu, mas de acordo com as 49 páginas da denúncia que tiveram seu sigilo derrubado nessa sexta, o ex-presidente responderá por 31 acusações de violar a Lei de Espionagem com a “retenção proposital” de documentos — cada uma referente a um documento sigiloso que armazenava irregularmente. As outras seis são referentes à posse dos materiais, à conspiração para obstrução de Justiça após se recusar a entregá-los mesmo após intimação judicial e às mentiras que contou aos investigadores.

Cada uma das acusações por violar a Lei de Espionagem têm um tempo máximo de prisão de 10 anos — ou seja, um total de 310 anos. As outras acusações somadas podem render ao favorito para ser o candidato republicano nas eleições presidenciais do ano que vem mais 90 anos atrás das grades. É muito raro, contudo, que o tempo máximo de detenção seja aplicado.

Entenda:

– 31 acusações: Violação da Lei de Espionagem pela retenção proposital de informações da defesa nacional.
– 3 acusações: Reter ou esconder documentos em uma investigação federal.
– 2 acusações: Declarações falsas.
– 1 acusação: Conspiração para obstrução de Justiça.

As investigações de mais de um ano comandadas pelo promotor especial Jack Smith constataram que Trump levou consigo materiais sobre “programas nucleares americanos; vulnerabilidades em potencial dos EUA e seus aliados a ataques militares; e planos para possíveis retaliações em resposta a ataques estrangeiros”. As informações sigilosas eram mantidas em “um salão de baile, no banheiro, em um chuveiro, em um espaço de escritório, no seu quarto e em um depósito” em Mar-A-Lago, na Flórida, para onde se mudou depois que deixou Washington.

As evidências, incluindo fotografias anexadas às acusações, foram apresentadas a um grande júri em Miami — pela lei federal, acusações criminais precisam passar pelo crivo dos cidadãos aleatoriamente convocados — que ouviu o depoimento de testemunhas e revisou evidências. O grupo, por fim, decidiu haver uma “causa razoável” para a acusação prosseguir.

“Nós temos um conjunto de leis neste país e elas valem para todas as pessoas”, disse Smith, em um pronunciamento de menos de três minutos à imprensa, afirmando que deseja um “julgamento rápido” e que proteger informações da defesa é “crítico” para a segurança nacional.

O promotor, nomeado em novembro pelo Departamento de Justiça, não explicou o porquê da decisão de apresentar as acusações na Flórida ao invés de Washington. Pouco antes de se pronunciar, foi atacado por Trump — o primeiro presidente americano a ser acusado de cometer crimes federais, pouco mais de dois meses após virar réu na Justiça estadual de Nova York — em uma postagem na rede social Truth Social:

“A mulher dele odeia o Trump, assim como ele odeia o Trump — um ‘psicopata’ desequilibrado que não deveria estar envolvido em nenhum caso relacionado à ‘Justiça’, ao invés de olhar para [o presidente Joe] Biden como um criminoso, que é o que ele é”, escreveu o ex-presidente sobre o promotor especial, também responsável pelas investigações federais sobre a invasão do Capitólio, em 6 de janeiro de 2021.

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