Sábado, 08 de agosto de 2026

Emplacamentos de carros no País sobem 17,9% no ano, mas exportações recuam 20,8%

O mercado brasileiro de veículos manteve o ritmo de expansão em julho, impulsionado principalmente pelos automóveis e pelo aumento das importações. Foram emplacados 279,5 mil autoveículos novos no mês, crescimento de 14,9% em relação a julho de 2025 e de 2,6% na comparação com junho. Os dados constam da Carta da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea).

De janeiro a julho, os emplacamentos alcançaram 1,7 milhão de unidades, alta de 17,9% sobre o mesmo período do ano passado, quando haviam somado 1,44 milhão. O avanço foi puxado pelos veículos leves, especialmente automóveis, mas convive com resultados mais fracos nos segmentos de caminhões e ônibus.

A produção também avançou. As montadoras fabricaram 253,9 mil veículos em julho, 5,9% acima do registrado no mês de 2025 e 3,1% a mais que em junho. No acumulado do ano, saíram das fábricas 1,63 milhão de unidades, crescimento de 8,3%.

— É um resultado expressivo da nossa indústria, apesar das dificuldades nas exportações e da entrada de importados bem acima da média dos anos anteriores — afirma o presidente da Anfavea, Igor Calvet, durante coletiva nesta sexta-feira.

Na direção contrária, as exportações seguem pressionadas. Os embarques somaram 39,3 mil veículos em julho, alta de 6,8% ante junho, mas queda de 18,4% na comparação anual. Nos sete primeiros meses de 2026, foram exportadas 255,9 mil unidades, 20,8% menos que as 323 mil registradas no mesmo intervalo de 2025.

Automóveis puxam avanço
Entre os segmentos, os automóveis tiveram o crescimento mais expressivo no mercado interno. Foram emplacadas 212,8 mil unidades em junho, praticamente estáveis em relação a junho, com recuo de 0,1%, mas 17% acima do volume de julho do ano passado.

No acumulado de janeiro a julho, as vendas de automóveis chegaram a 1,3 milhão de unidades, expansão de 22,5%. A produção do segmento cresceu 11,1%, para 1,25 milhão de veículos.

O desempenho mostra que as vendas estão crescendo em ritmo superior ao da fabricação nacional. A diferença é explicada, em parte, pelo avanço dos veículos importados.

Os comerciais leves, que incluem picapes e vans, também apresentaram resultado positivo. Os emplacamentos chegaram a 52,9 mil unidades em julho, altas de 11,2% na margem e de 9,2% em um ano. No acumulado de 2026, foram vendidas 327,2 mil unidades, crescimento de 8,3%.

A produção de comerciais leves, porém, caiu 2,9% ante junho, para 43,4 mil unidades. Em relação a julho de 2025, houve alta de 6,9%. No ano, o avanço é mais moderado, de 3,6%.

Importados já representam quase 23% do mercado
De janeiro a julho, foram vendidos 344,1 mil veículos importados, aumento de 25,7% na comparação anual. Com isso, a participação dos importados no total de emplacamentos subiu para 22,7% em julho, ante 18,6% um ano antes.

No acumulado do ano, os importados respondem por 20,2% das vendas, acima dos 18,5% observados em todo o ano de 2025 e dos 17,7% registrados em 2024.

Calvet também chama atenção para o avanço dos importados, que somaram quase 350 mil emplacamentos entre janeiro e julho, e para os possíveis impactos desse movimento sobre a produção e o emprego no país.

— Esse volume de quase 350 mil é maior do que a produção no período da maioria das fábricas das nossas associadas, o que indica que poderíamos estar gerando mais demanda para nossas fábricas e fornecedores e, por tabela, mais empregos — diz Calvet.

O movimento foi ainda mais intenso entre os automóveis. Foram emplacados 50,8 mil carros importados em julho, aumento de 57,6% em um ano. No acumulado, as vendas chegaram a 258,4 mil unidades, alta de 34,4%.

Já os veículos produzidos no Brasil somaram 216,1 mil emplacamentos no mês, com altas de 0,6% sobre junho e de 9,1% em relação a julho do ano passado. De janeiro a julho, foram 1,36 milhão, crescimento de 16%.

Os números indicam que, embora os modelos nacionais ainda representem a maior parte do mercado, os importados vêm crescendo com mais velocidade.

Caminhões reagem em julho, mas acumulado segue negativo
O mercado de caminhões apresentou recuperação no mês. Foram emplacadas 11,7 mil unidades em julho, 19,4% acima de junho e 10% superiores às de julho de 2025.

A melhora mensal, entretanto, não foi suficiente para reverter o resultado negativo do ano. Entre janeiro e julho, os emplacamentos totalizaram 60,6 mil caminhões, queda de 7,2%. Com informações do portal O Globo.

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