Quarta-feira, 16 de setembro de 2026
Por Redação do Jornal O Sul | 15 de setembro de 2026
A avicultura gaúcha ampliou sua presença no mercado internacional em agosto, com crescimento expressivo nas exportações de carne de frango. O Rio Grande do Sul embarcou 61,2 mil toneladas do produto no mês, volume que representa uma alta de 38,8% em relação às 44,1 mil toneladas registradas durante o mesmo mês no ano passado.
Os dados são da Organização Avícola do Rio Grande do Sul, formada pelas entidades membros Associação Gaúcha de Avicultura e Sindicato das Indústrias de Produtos Avícolas do Estado do Rio Grande do Sul (Asgav-RS). Na base estão números da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA) e Secretaria de Comércio Exterior (Secex, vinculada ao governo federal).
Ainda mais significativo foi a expansão em termos de receita. As vendas externas movimentaram US$ 123 milhões, crescimento de 58,4% frente aos US$ 77,6 milhões registrados em agosto de 2025.
Na avaliação da Asgav-RS, o resultado reforça a trajetória de recuperação das exportações da avicultura gaúcha ao longo de 2026. O Estado exportou 493,8 mil toneladas de carne de frango no acumulado de janeiro a agosto, contra 438 mil toneladas em igual intervalo de 2025, um avanço de 12,8%.
Em receita, o desempenho também é positivo: foram US$ 969,4 milhões nos oito primeiros meses do ano, ante US$ 784,3 milhões no mesmo período de 2025, o que representa uma elevação de 23,6%.
“Os números mostram que o crescimento não está restrito ao volume embarcado”, ressalta a entidade. “A receita avançou em ritmo superior, indicando também um desempenho mais favorável do valor médio obtido pelas exportações. O cenário indica recuperação e relevância em um contexto no qual a avicultura gaúcha vem trabalhando para recompor mercados e preservar sua competitividade internacional.”
Cenário nacional favorável
O resultado do Rio Grande do Sul acompanha uma expansão ainda mais ampla das exportações brasileiras de carne de frango. Em agosto, o Brasil embarcou 492,6 mil toneladas, alta de 24,8% sobre as 394,6 mil toneladas exportadas no mesmo mês de 2025. A receita chegou a US$ 997,9 milhões, crescimento de 42,7% e praticamente encostando na marca de US$ 1 bilhão em apenas um mês.
No acumulado de janeiro a agosto, as exportações brasileiras alcançaram 3,92 milhões de toneladas, contra 3,39 milhões de toneladas no mesmo período de 2025. O crescimento foi de 15,5%. A receita também avançou: passou de US$ 6,31 bilhões para US$ 7,69 bilhões, alta de 21,9%.
Esses resultados fizeram de agosto um dos meses de forte atuação da cadeia exportadora do País. A China apareceu como principal destino dos embarques brasileiros no mês, em um movimento que reforça a diversificação e a retomada do comércio internacional da proteína.
O contexto ajuda a dimensionar o desempenho gaúcho: enquanto o país ampliou os embarques em 24,8% em agosto, o Rio Grande do Sul cresceu 38,8%, avançando em ritmo superior ao mercado nacional no mês.
Produção de ovos
Se o mercado de carne de frango apresenta uma trajetória bastante homogênea de crescimento, os números dos ovos contam uma história diferente. Em agosto, o Rio Grande do Sul exportou 448 toneladas de ovos, queda de 26,2% em relação às 607 toneladas embarcadas no mesmo mês de 2025.
A receita acompanhou o movimento de baixa, mas em intensidade ainda maior: foram US$ 1,469 milhão, contra US$ 2,320 milhões em agosto do ano passado. O recuo foi de 36,7%.
O resultado mensal, porém, não apaga o comportamento apresentado em 2026. Entre janeiro e agosto, o Estado exportou 4.490 toneladas de ovos, crescimento de 24,7% sobre as 3.601 toneladas do mesmo período de 2025.
Em faturamento, a receita acumulada chegou a US$ 16,175 milhões, alta de 20,3% ante os US$ 13,447 milhões registrados nos oito primeiros meses do ano passado. O mercado gaúcho de ovos mantém crescimento no acumulado, mas agosto trouxe queda tanto em volume quanto em receita.
No mercado brasileiro, o comportamento foi praticamente inverso ao observado no Rio Grande do Sul em agosto.
O país exportou 2.322 toneladas de ovos no mês, alta de 9,1% sobre as 2.129 toneladas de agosto de 2025.
A receita, entretanto, caiu 38,1%, passando de US$ 32,303 milhões para US$ 19,982 milhões.
No acumulado de janeiro a agosto, o cenário brasileiro permanece negativo. O volume exportado foi de 4.868 toneladas, queda de 15% frente às 5.729 toneladas embarcadas no mesmo período de 2025.
A receita teve retração ainda mais acentuada: de US$ 75,295 milhões para US$ 43,903 milhões, redução de 41,7%.
“Os números deixam clara uma diferença importante entre os dois mercados”, complementa a Asgav. “Enquanto o Rio Grande do Sul ampliou suas exportações de ovos no acumulado do ano, o Brasil reduziu tanto o volume quanto a receita.”
(Marcello Campos)