Sexta-feira, 18 de setembro de 2026

Mais dois ministros do Supremo recebem dados sigilosos da Polícia Federal que registram conversas de suposta sócia de Lulinha

A Polícia Federal entregou nessa quinta-feira (17) a íntegra dos dados do celular do empresário Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master, aos gabinetes dos ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) André Mendonça e Luiz Fux.

Os magistrados pediram acesso ao conteúdo na quarta (16), um dia após a sessão convocada para decidir sobre a abertura de um inquérito contra o ministro Alexandre de Moraes por supostas conversas com o ex-banqueiro.

O material compartilhado com Mendonça e Fux é o mesmo entregue pela PF aos ministros Cristiano Zanin e Gilmar Mendes no início da semana.

Na troca de ofícios que antecedeu a sessão sobre o caso Moraes, Zanin tentou obter os dados dos celulares diretamente com Mendonça, relator do caso Master. Mendonça, porém, afirmou que todo o material necessário ao julgamento já estava disponível e que revelar o conteúdo completo do celular de Vorcaro serviria apenas para “tumultuar” a sessão.

Segundo o ministro, uma cópia da íntegra dos dados estava em seu gabinete, mas permanecia lacrada. Depois, a PF informou ao presidente da Corte, Edson Fachin, que também mantinha o material e poderia fornecer aos ministros cópias idênticas, sem prejuízo à cadeia de custódia.

Zanin e Gilmar Mendes, então, recorreram diretamente à PF para obter as informações. Após a entrega dos dados ao Supremo, foram divulgadas conversas entre Vorcaro e Rodrigo Fux, filho do ministro Luiz Fux, além de diálogos com menções ao ministro Kassio Nunes Marques.

Durante a sessão, marcada por bate-boca e acusações, Mendonça disse que só soube de referências aos colegas naquele momento, pois os dados que estavam em seu gabinete estavam lacrados.

Crise no STF

A produção de relatório da PF para identificar parte das conversas de Daniel Vorcaro desencadeou uma crise sem precedentes na história do STF. Pela 1ª vez, foi necessário abrir uma sessão para discutir se os investigadores poderiam apurar possível envolvimento do ministro Alexandre de Moraes no esquema de Daniel Vorcaro.

A sessão, iniciada no dia 15 de setembro, foi interrompida com um pedido de vista do ministro Flávio Dino, que adiou a resolução do caso.

Além disso, Moraes pediu para que seja aberta uma investigação contra Mendonça por abuso de autoridade e improbidade administrativa. O presidente do STF, Luiz Edson Fachin, determinou que o julgamento do pedido contra Mendonça só será pautado depois que se conclua a questão de ordem para definir se o caso Vorcaro-Moraes será julgado de forma separada ou conjunta. (Com informações da CNN Brasil e Poder 360)

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