Segunda-feira, 03 de agosto de 2026
Por Redação do Jornal O Sul | 3 de agosto de 2026
Os agentes financeiros aguardam um novo corte de 0,25 ponto percentual da Selic no Copom desta semana diante da melhora na inflação, o que levaria a Selic para 14%, em linha com a precificação do mercado.
O Banco Central (BC) também deve manter as opções em aberto para as próximas reuniões, sem sinalizações concretas, dada a elevação das expectativas de inflação e a incerteza gerada pela guerra no Oriente Médio, segundo analistas. Também existe a expectativa de que o comunicado seja ajustado para retirar trechos considerados confusos da reunião anterior.
Economistas e gestores avaliam que o alívio na inflação favorece a extensão do processo chamado pelo BC de “calibração” da taxa básica. A leitura do IPCA-15 de julho veio abaixo do esperado e apresentou desaceleração dos núcleos – medidas que excluem itens voláteis como alimentos e energia.
O indicador também apontou a dissipação do choque do petróleo, provocado pelo conflito no Irã, e a perda do vigor do impulso fiscal, com bom comportamento dos preços de serviços e bens industriais.
Do lado da atividade, os números têm surpreendido para baixo. Os dados de vendas no varejo, volume de serviços e produção industrial de maio ficaram todos aquém das expectativas do mercado.
A tendência na comunicação é de que o Copom reconheça a melhora na inflação e a moderação na atividade no curto prazo. No entanto, deve seguir sem sinalizar próximos passos mantendo a cautela com as expectativas de inflação, que seguem acima da meta na Focus, e manter o balanço de riscos assimétrico dado o nível de incerteza.
Gabriel Galípolo, presidente da autoridade monetária, disse em evento na semana retrasada que há “uma preocupação adicional” sobre as expectativas, o que recomenda permanecer com juros restritivos por um período mais longo.
Casas como JPMorgan, Banco Inter e Meraki Capital avaliam extensão do ciclo pelo menos até setembro aposta que passou a ser majoritária na curva de juros futuros.
Sobre projeções, o Itaú Unibanco espera que o BC siga prevendo inflação em torno de 3,2% no horizonte relevante, que passa a ser o primeiro trimestre de 2028.
Na reunião passada, o comunicado do BC foi criticado por apresentar trechos considerados confusos pelo mercado – como a referência de maneira antecipada à rolagem do horizonte relevante da política monetária para o primeiro trimestre de 2028, período em que as projeções de inflação estariam mais baixas, aspecto lido como ‘dovish.
Além disso, incluiu uma referência a trajetórias alternativas de juros – parte que o comitê pode descartar da comunicação. “É bastante provável que o Banco Central retire o trecho, que ficou o mais confuso no comunicado anterior”, disse Daniela Lima, economista para Brasil da Kinea.
“Acredito que aquele trecho que gerou bastante confusão deve cair, imagino que eles vão ser mais objetivos. Questões mais complexas e que demandam uma explicação maior, eles devem deixar para ata”, afirmou Andrea Damico, economista-chefe da Buysidebrazil. (Com informações do portal Bloomberg Línea)