Quinta-feira, 13 de agosto de 2026

Pacto pela Descarbonização da Saúde é lançado em Porto Alegre.

Especialistas gaúchos alertam para os riscos invisíveis da poluição interna e propõem medidas de mitigação em hospitais, escolas e empresas.

O Pacto Rio-Grandense pela Descarbonização da Saúde reuniu entidades médicas e especialistas para discutir os impactos da poluição atmosférica em ambientes internos — um problema silencioso que compromete a saúde de milhões de pessoas. O movimento, que envolve o Instituto SafeWeb, o Sindicato Médico do Rio Grande do Sul e sociedades médicas regionais, propõe medidas concretas para reduzir emissões de gases e partículas nocivas em hospitais, escolas, empresas e residências.

Segundo os especialistas, passamos 90% do tempo em ambientes internos, onde a concentração de poluentes pode ser muito superior à externa. Idosos, gestantes, crianças e portadores de doenças crônicas são os mais vulneráveis, com riscos para o sistema respiratório, cardiovascular e nervoso.

“Quando inspiramos em ambientes internos, há risco de desenvolver doenças cardiovasculares, respiratórias e neurológicas. É um problema invisível, mas que precisa ser enfrentado com a mesma seriedade que o fumo passivo foi no passado”, destacou o epidemiologista Dr. Ayrton Tetelbaum Stein, membro do Biohub Tecnopuc.

O pacto prevê a criação de uma tabela de produtos e fontes emissoras, identificando poluentes como CO₂, monóxido de carbono, NO₂, SO₂, ozônio, formaldeído, benzeno e material particulado (PM1, PM2,5 e PM10). A partir desse diagnóstico, será estruturada uma estratégia de substituição tecnológica, priorizando soluções limpas, eletrificação eficiente e energias renováveis.

Outro ponto é a adoção de metodologia padronizada de medição e monitoramento, com relatórios técnicos comparados a referências nacionais e internacionais. Esses dados permitirão estabelecer limites para ambientes laborais e parâmetros de qualidade do ar interior, indicando situações de insalubridade ou risco à saúde pública.

O cardiologista Dr. Luiz Carlos Bodanévic lembrou que entidades médicas internacionais já alertaram para o impacto da poluição na saúde cardiovascular: “Estudos mostram que a poluição supera fatores como hipertensão e tabagismo em anos de vida perdidos. É uma evidência dura que precisa ser incorporada à prática médica e às políticas públicas.”

O pacto também prevê apoio a projetos de mitigação de emissões externas, como CO₂ e metano, e a publicação anual de um relatório de sustentabilidade, com ampla divulgação à sociedade.

Além disso, será estimulada a pesquisa em purificadores de ar, substâncias neutralizadoras de poluentes e mecanismos de ação dos contaminantes sobre o organismo humano.

“Para nós, médicos, é fundamental alertar que partículas e gases atravessam até a placenta, afetando bebês em gestação. A poluição interna não é apenas um problema ambiental, mas uma questão de saúde pública urgente”, ressaltou a pediatra Dra. Maria Dolores Bressan, vice-coordenadora do Grupo de Pediatria do Sindicato Médico.

O movimento busca consolidar um grande pacto institucional pela descarbonização, envolvendo sociedade, empresas e gestores públicos. A meta é transformar ambientes internos em espaços mais saudáveis, reduzindo riscos invisíveis e promovendo qualidade de vida. Este e  outros assuntos serão discutidos no II Fórum Nacional de Educação Energética: Gases de Efeito Estufa e Poluentes Atmosféricos Internos, que acontece nos dias  26 e 27 de agosto de 2026. (por Gisele Flores – gisele@pampa.com.br)

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