Sexta-feira, 07 de agosto de 2026
Por Redação do Jornal O Sul | 6 de agosto de 2026
Na quarta-feira (5), o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central cortou os juros de referência, a taxa Selic, em 0,25 ponto percentual, de 14,25% para 14% ao ano. É a quarta redução consecutiva, do mesmo tamanho, e a decisão impacta de maneira prática a vida dos brasileiros de duas formas: por um lado, os financiamentos e empréstimos barateiam, mas por outro, o retorno da renda fixa cai.
Apesar de ser a menor taxa desde março de 2025, a Selic segue muito alta e a continuidade dos cortes é incerta, após a autoridade deixar os próximos passos em aberto. A última rodada de indicadores de atividade econômica e da inflação no Brasil aumentou a confiança dos investidores de que a redução da Selic seguirá.
O Boletim Focus da última segunda-feira (3), relatório divulgado pelo Banco Central que reúne as expectativas dos economistas, apontava que a expectativa para a inflação em 2026 recuou pela quinta semana seguida, de 5,12% para 5,3%, acima do limite da meta, de 4,5%. A perspectiva é que os juros acabem em 13,75% em 2026, um nível maior do que os 12% esperados antes do conflito entre os Estados Unidos e o Irã.
Já para 2027, a expectativa para a inflação seguiu em 4,22%, após aumentar na semana passada, enquanto a estimativa para os juros seguiu em 12%.
Apesar de diminuírem, os economistas explicam que os riscos de convergência da inflação para a meta não sumiram. São vistos como riscos o prolongamento do conflito entre os Estados Unidos e o Irã, o salto do preço do petróleo, a eleição presidencial e a situação fiscal, que acelerariam a inflação novamente, o que levaria a autoridade a deixar os juros altos por mais tempo para controlar a inflação.
Nesse ambiente, a expectativa é que os investimentos de renda fixa continuem dando remunerações muito altas. Contudo, a redução da Selic nesta quarta-feira diminui especialmente os juros dos papéis de renda fixa que acompanham o CDI (uma taxa que anda colada na Selic), como os Certificados de Depósito Bancário (CDBs) e as Letras de Crédito Agrícola e Imobiliário (LCAs e LCIs), ou que seguem a Selic, como os títulos do Tesouro Direto com o nome de Tesouro Selic.
A taxa nesse nível impacta a caderneta de poupança também, em menor intensidade. A caderneta deixa de ter a rentabilidade aumentando de forma linear quando a Selic está acima de 8,5%. Abaixo desse nível, o retorno da poupança fica em 70% de quanto forem os juros de referência.
Quando a taxa supera os 8,5% (não importa se 8,75% ou 20%, por exemplo), a remuneração da poupança é limitada a 0,5% ao mês, ou 6,17% ao ano, mais a variação da taxa referencial (TR), regra conhecida como a da “poupança velha”.
Contudo, é importante saber que, com a Selic acima de dois dígitos, a TR deixou de render zero e deve agregar à poupança um rendimento. Apesar disso, os demais investimentos de renda fixa continuam rendendo muito mais que a caderneta.
Mas quanto vai render?
A calculadora de renda fixa do Valor Investe, uma ferramenta que o leitor pode usar na sua vida, mostra que, ao aplicar R$ 1 mil no papel Tesouro Selic, o saque seria de R$ 1.117 depois de um ano, descontando o Imposto de Renda.
Em um CDB que oferece pagar 100% do CDI ou em um fundo DI com taxa zero, o resgate seria também de R$ 1.117 depois de um ano, descontando o Imposto de Renda. Já em uma LCA ou LCI que remunera 85% do CDI e é isenta de Imposto de Renda, a retirada seria um pouco maior, de R$ 1.120.
No Tesouro Prefixado , o saque seria de R$ 1.115 depois de um ano, descontando o Imposto de Renda. No Tesouro IPCA+, o resgate seria de R$ 1.101, descontando o Imposto de Renda.
Já na poupança, o saque seria menor, de R$ 1.084. Embora pareça pequena, a diferença é grande no longo prazo. Quanto maior o tempo de aplicação, menos vantajosa é a poupança.
No ambiente atual, de expectativa de juros maiores, os títulos mais conservadores, que acompanham o CDI ou a Selic, tendem a render mais dentro de cinco anos do que os papéis prefixados e os que seguem a inflação. Porém, as remunerações desses títulos à venda estão altíssimas ainda. No Tesouro Direto, os que acompanham a inflação estão oferecendo taxas perto de 8% mais a inflação ao ano, enquanto os papéis prefixados estão pagando perto de 14% ao ano.
O risco desses títulos é maior. Caso o investidor resgate o dinheiro antes do fim do prazo, pode acabar ganhando menos do que aplicou. Já nos papéis que acompanham o CDI ou a Selic, o investidor deve ganhar mais do que investiu independentemente do período de resgate (a não ser que aconteça algum problema com o banco emissor do papel, no caso de CDBs, LCAs e LCIs).
– Cuidado com o emissor dos papéis: Cabe lembrar que os papéis de renda fixa emitidos pelos bancos, caso de CDBs, LCAs e LCIs, têm seu risco associado ao balanço do banco emissor. O risco é eles não remunerarem o investidor como combinado por dificuldades financeiras das instituições, que podem ser maiores do que no Tesouro Direto. Em tempo de juros altos como agora, aumenta esse risco. Por causa disso, a remuneração desses produtos é maior em comparação à oferecida no Tesouro Direto.
Os casos dos bancos Master, Pleno e Will Bank recentemente assustaram brasileiros, após o Banco Central decretar a liquidação das instituições financeiras. O dinheiro dos investidores que estava nos papéis de renda fixa emitidos pelos bancos foi honrado pelo Fundo Garantidor de Créditos (FGC).
Parece um tipo de um seguro, que cobre até R$ 250 mil por conglomerado financeiro em caso de inadimplência da instituição, mas esse recurso pode demorar para cair na conta. No caso do Master, demorou quase dois meses.
Os papéis emitidos por companhias e não por bancos, como os Certificados de Recebíveis Imobiliários e Agrícolas (CRIs e CRAs) e as debêntures, não são cobertos por esse fundo e têm risco maior ainda, especialmente neste momento, em que os juros altos estão aumentando as dívidas das empresas. As informações são do jornal Valor Econômico.