Sábado, 01 de agosto de 2026
Por Redação do Jornal O Sul | 31 de julho de 2026
A decisão da Polícia Federal (PF) de formalizar um pedido ao Supremo Tribunal Federal (STF) para a abertura de uma nova frente de investigação contra Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, provocou estranhamento nos bastidores da Corte.
A PF pediu para apurar suspeitas de tráfico de influência do empresário no Palácio do Planalto e no Ministério da Saúde, em tratativas de negócios sobre o uso de cannabis medicinal.
A suspeita surgiu em meio à apuração sobre as fraudes nos descontos do INSS, em razão de tratativas entre Lulinha e o Careca do INSS.
O relator do caso do INSS no STF é o ministro André Mendonça. Mas a petição no Supremo não foi direcionada a ele. Foi enviada para distribuição geral. Depois, coincidentemente terminou ficando com o próprio Mendonça, por sorteio. O ministro autorizou o novo inquérito.
No Supremo, a surpresa não veio do envio para livre distribuição, mas do momento em que a decisão da PF ocorreu.
A movimentação ocorre ao mesmo tempo em que a defesa de Fábio Luís Lula da Silva tenta arquivar a investigação sobre ele no caso do INSS e evitar que o assunto se arraste até as eleições, pois dá munição à oposição contra o presidente Lula.
Tecnicamente, as duas investigações podem seguir separadamente até que os temas e a análise do material coletado sejam exauridos. Nos bastidores, entretanto, uma das leituras é de que a medida gere uma bala de prata para a defesa do filho do presidente.
Como a investigação sobre o negócio de cannabis medicinal foi separada, surge um fato novo para pressionar pelo arquivamento do caso de origem, o que pode ser feito em relatório da própria PF.
A Polícia Federal indicou ao STF que só teria condições de compilar, cruzar e analisar dados de evidências dos sigilos de Lulinha e materiais apreendidos na Operação Sem Desconto no ano que vem.
A mensagem foi lida desta forma em razão da prioridade dada às apurações de investigados que estão presos ou sob medidas restritivas. Como responde ao processo em liberdade e sem restrições judiciais, o filho de Lula ficaria para o final da fila.
Na sequência, a defesa de Lulinha pediu uma reunião com o diretor-geral da PF para solicitar o arquivamento do caso.
Lulinha chegou a admitir em documento protocolado no STF que viajou a Portugal com as despesas pagas pelo “Careca do INSS” para prospectar um negócio de cannabis medicinal. Esse negócio seria intermediado pela empresária Roberta Luchsinger, amiga de Lulinha e responsável por apresentá-lo ao “Careca do INSS”. A defesa nega irregularidades.
Ela recebeu pagamentos de R$ 1,5 milhão do empresário e afirmou que prestou serviços de consultoria para regulação do mercado de cannabis medicinal no Brasil.
A defesa de Lulinha vem pressionando pela investigação contra o filho do presidente. Segundo o advogado Marco Aurélio Carvalho, a PF e o STF foram formalmente informados de que seu cliente está à disposição para prestar depoimentos e não foi chamado.
Neste mês, a PF concluiu o primeiro inquérito do caso INSS e indiciou 48 pessoas. Foram indiciados, entre outros:
* Ex-presidente do INSS Alessandro Stefanutto;
* Ex-procurador-geral do INSS Virgílio Antônio Ribeiro Filho;
* Ex-diretor de benefícios do INSS André Fidelis;
* Empresário Antônio Camilo Antunes, o “Careca do INSS”;
* Ex-ministro da Previdência José Carlos Oliveira;
* Deputado federal Euclydes Pettersen (Republicanos-MG). (Com informações da Coluna do Estadão/O Estado de S. Paulo)