Segunda-feira, 17 de junho de 2024

Polícia Federal diz que influenciador Renato Cariani teve pedido de prisão negado pela Justiça

O influenciador Renato Cariani, um dos alvos da Operação Hinsberg da Polícia Federal (PF) que investiga o desvio de produtos químicos para produção de drogas, teve pedido de prisão negado pela Justiça. Segundo o delegado Victor Vivaldi, o Ministério Público concordou com os pedidos feitos pela PF. Todavia, a Justiça rejeitou, acatando somente os 18 pedidos de busca e apreensão cumpridos nesta terça-feira (12) em São Paulo, Minas Gerais e Paraná.

Cariani é um dos maiores influenciadores digitais do segmento fitness. No Instagram, ele tem 7,3 milhões de seguidores. Seu canal no YouTube conta com 6,3 milhões de inscritos e sua conta no Tik Tok tem mais de 1 milhão de pessoas. Ele é sócio-proprietário da empresa Anidrol, um dos alvos da operação.

“Os pedidos de prisão tiveram como fundamento a reiteração delitiva, justamente nesse período de 6 anos, com 60 eventos confirmados de notas emitidas de forma fraudulenta”, explica Vivaldi.

De acordo com o delegado Fabrizio Galli, chefe da delegacia de repressão à entorpecentes, foram desviados mais de R$ 6 milhões em produtos químicos entre os anos de 2014 e 2020, o equivalente a 12 toneladas. O montante seria suficiente para produzir até 19 toneladas de cocaína e crack.

Entre os produtos desviados estão lotes de fenacetina, acetona, éter etílico, ácido clorídrico, além de outros componentes químicos. A organização usava empresas de fachada, enquanto membros se passavam por funcionários das multinacionais, para emitir notas fiscais fraudulentas das farmacêuticas e vender produtos químicos.

O pagamento era feito em dinheiro vivo por meio de “laranjas” na boca do caixa, ação que foge dos padrões das companhias multinacionais. O esquema foi descoberto após uma das empresas negar relação com dois depósitos realizados pelos investigados.

Outro suspeito é Fabio Spínola Mota. Ele já foi preso por envolvimento nesse tipo de crime em operação da PF no Paraná. Em sua residência foram encontrados mais de R$ 100 mil em espécie. De acordo com a PF, ele seria o intermediador entre a indústria química e os produtores da droga.

A PF interceptou algumas trocas de mensagens entre Cariani e sua sócia. Apesar de antigas, as mensagens apontam, segundo o inquérito, que eles tinham conhecimento do monitoramento por parte da polícia.

Segundo a investigação, em uma das conversas, Cariani disse:

“Poderemos trabalhar no feriado para arrumar de vez a casa e fugir da polícia”. Pelo contexto do diálogo, os investigadores dizem que o fisiculturista sabia que era investigado.

Em manifestação nas suas redes sociais, o influenciador negou envolvimento no esquema e disse que foi surpreendido pela operação da PF.

“Fui surpreendido com um mandado de busca e apreensão da polícia na minha casa, onde eu fui informado que não só a minha empresa, mas várias empresas estão sendo investigadas num processo que eu não sei, porque ele corre em “processo de justiça” [sic]. Então, meus advogados agora vão dar entrada pedindo para ver esse processo e, aí sim, eu vou entender o que consta nessa investigação”, afirmou.

Cariani defende a empresa da qual é sócio.

“Eu sofri busca e apreensão porque eu sou um dos sócios, então, todos os sócios sofreram busca e apreensão. Essa empresa, uma das empresas que eu sou sócio, está sofrendo a investigação, ela foi fundada em 1981. Então, tem mais de 40 anos de história. É uma empresa linda, onde a minha sócia, com 71 anos de idade, é a grande administradora, a grande gestora da empresa, é quem conduz a empresa, uma empresa com sede própria, que tem todas as licenças, tem todas as certificações nacionais e internacionais. Uma empresa que trabalha toda regulada. Então, para mim, para a minha sócia, para todas as pessoas, foi uma surpresa”, completou.

 

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