Segunda-feira, 10 de agosto de 2026

Governo Trump afirma que está à disposição do Brasil para conversar sobre o tarifaço

O governo dos Estados Unidos respondeu nessa segunda-feira (10) ao pedido de consultas apresentado pelo Brasil à Organização Mundial do Comércio (OMC) e informou estar “à disposição” para discutir as novas tarifas impostas ao país. A manifestação foi formalizada em documento encaminhado à organização internacional, após o governo brasileiro recorrer ao mecanismo de consultas previsto no sistema de solução de controvérsias da entidade.

“Os Estados Unidos aceitam o pedido do Brasil de realização de consultas. Estamos à disposição para nos reunirmos com os representantes de sua missão em uma data mutuamente conveniente para a realização das consultas”, afirma o documento enviado pelo governo norte-americano.

O Brasil acionou a OMC para contestar duas novas tarifas anunciadas pela Casa Branca. A primeira estabelece uma alíquota adicional de 25%, aplicada sob o argumento de que o Brasil adota práticas econômicas consideradas desleais pelos Estados Unidos em relação a empresas norte-americanas.

A segunda tarifa, de 12,5%, foi aplicada sob a justificativa de que o Brasil, assim como dezenas de outros países, teria falhado na fiscalização da entrada de mercadorias produzidas com trabalho forçado. As duas medidas passaram a ser questionadas formalmente pelo governo brasileiro no âmbito da organização internacional.

Ao apresentar o pedido de consultas, o governo brasileiro argumentou que as novas tarifas impostas pela administração de Donald Trump são discriminatórias e unilaterais e violam compromissos assumidos pelos Estados Unidos perante a OMC. O procedimento representa a primeira etapa formal de um eventual processo de solução de controvérsias dentro da organização.

Embora não tenha apresentado essa argumentação especificamente à OMC, o governo brasileiro tem afirmado, por meio de declarações do chanceler Mauro Vieira e de comunicados oficiais, que o tarifaço possui motivação política. As autoridades brasileiras também sustentam que os argumentos técnicos apresentados pelo país durante as negociações com representantes do comércio norte-americano não teriam sido considerados na definição das medidas.

Apesar do acionamento da OMC, diplomatas avaliam que a iniciativa possui caráter principalmente simbólico. Segundo esses representantes, uma eventual decisão da organização não teria, necessariamente, capacidade para reverter as tarifas aplicadas pelos Estados Unidos.

A avaliação está relacionada, de acordo com os diplomatas, à tradição da diplomacia brasileira de defesa do chamado multilateralismo e do uso de organismos internacionais como instrumentos para a solução de conflitos entre países. Nesse contexto, o governo considerou necessário recorrer à OMC para registrar sua posição e defender a utilização de mecanismos multilaterais para tratar de disputas políticas, econômicas ou militares.

Os diplomatas afirmam ainda que o recurso à OMC “marca posição” do Brasil em relação aos Estados Unidos e formaliza a tentativa do país de encontrar mecanismos que possam levar à revisão ou à reversão das medidas tarifárias adotadas pelo governo norte-americano. (Com informações do portal de notícias g1)

Compartilhe esta notícia:

Voltar Todas de Economia

Economistas reduzem a previsão do PIB brasileiro para este ano pela primeira vez em quatro meses
Pode te interessar
Baixe o app da TV Pampa App Store Google Play